Veja por que margem real e margem presumida podem ser diferentes e como isso afeta a análise tributária no Lucro Presumido.
Por Cleiton Celini e Gledson Alves, sócios e contadores da AUDICONT Contabilidade
Esta matéria dá continuidade à análise publicada anteriormente sobre a escolha do regime tributário, avançando para uma nova variável da decisão.
Presunção fiscal não é rentabilidade
O Lucro Presumido utiliza percentuais legais para formar bases de IRPJ e CSLL. Esses percentuais não afirmam que a empresa efetivamente ganhou aquele valor. Empresas com a mesma receita podem ter margens econômicas muito diferentes.
Margem baixa merece simulação
Quando custos e despesas consomem parcela relevante da receita, a distância entre resultado real e base presumida pode crescer. Isso não torna o Lucro Real automaticamente melhor, mas exige que ele seja testado.
2026 mudou a conta
A LC 224/2025 trouxe acréscimo de 10% nos percentuais de presunção sobre a parcela da receita bruta total que exceder R$ 5 milhões no ano, com aplicação proporcional aos períodos de apuração.
Margem precisa de contabilidade confiável
A análise deve partir de demonstrações e conciliações capazes de separar receita, custos, despesas e eventos não recorrentes. Estimativa informal de lucro não sustenta decisão tributária.
O próximo passo é Presumido x Real
Quando a margem real se distancia da presunção, despesas dedutíveis, créditos e resultado efetivo passam a ser centrais na comparação.
Erro x consequência
| Ponto de atenção | Possível consequência |
|---|---|
| Confundir presunção com lucro real | Decidir sobre margem inexistente |
| Usar margem estimada | Reduzir confiabilidade |
| Ignorar LC 224/2025 | Usar parâmetros desatualizados |
| Não testar Lucro Real | Deixar cenário relevante fora |
Decisão tributária precisa ser sustentada por dados
Na avaliação de Cleiton Celini e Gledson Alves, sócios e contadores da AUDICONT Contabilidade, a escolha precisa combinar dados contábeis, operação, legislação e projeção de crescimento, e não uma regra genérica baseada apenas em alíquota.
Uma assessoria fiscal e tributária pode estruturar cenários comparáveis e acompanhar as variáveis que mudam a conclusão.
A sequência continua na matéria sobre a próxima etapa da análise.
FAQ
Qual é o principal erro nessa análise?
Usar uma única variável para decidir um regime que depende de vários fatores.
Faturamento sozinho resolve a escolha?
Não. Folha, margem, atividade, clientes e operação também interferem.
É necessário trabalhar com projeções?
Sim. Histórico e cenários ajudam a antecipar limites e mudanças.
A Reforma Tributária precisa entrar na conta?
Sim. CBS e IBS alteram o ambiente de 2027.
A escolha deve considerar operação e ERP?
Sim. O regime precisa ser compatível com emissão fiscal, cadastros e controles.
Quando revisar a decisão?
Sempre que houver mudança relevante na legislação ou na estrutura da empresa.
Fontes consultadas
Receita Federal - regras de 2026 para o Lucro Presumido. Informações conferidas na fonte oficial.