Simples Nacional 2027: contratos e preços diante de IBS e CBS

 

Preços negociados em 2026 podem continuar vigentes depois da entrada das novas regras. Empresas do Simples precisam avaliar se contratos longos preservam margem quando tributação, créditos e custos mudarem.

Por Cleiton Celini e Gledson Alves, sócios e contadores da AUDICONT Contabilidade

Uma empresa assina em agosto de 2026 um contrato por 18 meses. Preço fixo. Reajuste apenas anual.

Em janeiro, muda parte relevante do ambiente tributário. O contrato continua o mesmo. A economia da operação pode não continuar.

Preço fixo não significa margem fixa

Se a estrutura de tributação ou custos muda, o valor cobrado pode permanecer igual enquanto o resultado diminui. Por isso, contratos que atravessam 2027 deveriam ser avaliados sob pelo menos três ângulos: preço, tributação e margem.

B2B adiciona outra variável

No relacionamento entre empresas, IBS e CBS também podem alterar a discussão sobre créditos do comprador. Isso significa que a negociação pode deixar de analisar apenas quanto o fornecedor cobra e passar a considerar qual é o custo econômico líquido da aquisição.

A matéria Simples Nacional 2027: IBS e CBS dentro ou fora do DAS? aprofunda essa escolha.

Contrato novo deveria nascer preparado para mudança

Empresas que ainda estão negociando contratos com vigência em 2027 deveriam revisar pontos como tratamento de alterações tributárias, reajuste, preço bruto, preço líquido, revisão extraordinária e responsabilidades entre as partes.

A análise jurídica da redação contratual depende do caso concreto, mas economicamente a empresa precisa saber se o preço continuará sustentável.

Simule margem antes de assinar

Considere um contrato mensal de R$ 100 mil. Se a margem esperada é R$ 15 mil, uma variação de R$ 5 mil nos custos reduz um terço do resultado. O faturamento não mudou. A rentabilidade mudou muito.

Uma Consultoria e Planejamento Contábil pode testar cenários antes que a empresa transforme uma projeção tributária em um contrato de longo prazo.

Contrato longo exige visão futura

Na avaliação de Cleiton Celini e Gledson Alves, sócios e contadores da AUDICONT Contabilidade, quanto maior o prazo de uma obrigação comercial que atravessa 2027, menos recomendável é precificar olhando somente para a estrutura tributária de 2026.

O contrato precisa ser economicamente sustentável também no cenário seguinte.

FAQ

1. Todo contrato precisa ser alterado?

Não. É necessário analisar o conteúdo do contrato, a operação e o impacto econômico da mudança.

2. O preço pode precisar ser revisto?

Pode, dependendo do efeito sobre custos, tributação e margem e das disposições contratuais aplicáveis.

3. Empresas B2B possuem risco adicional?

Podem ter uma negociação mais complexa porque créditos tributários também podem participar do custo econômico do comprador.

4. Contratos novos já deveriam considerar 2027?

Quando sua vigência alcançar o novo ambiente tributário, é prudente que a formação de preço considere os cenários futuros.

5. O que deve ser simulado?

Preço, custo, carga tributária, créditos, margem e fluxo de caixa.

Fontes consultadas

Presidência da República - Planalto.
Lei Complementar nº 214/2025, referência para a regulamentação do IBS e da CBS texto oficial da legislação.

Ministério da Fazenda.
publicação oficial sobre a adequação do Simples Nacional à Reforma Tributária do Consumo publicação oficial do Ministério da Fazenda.