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📊 Setor de serviços perde ritmo: a média da economia pode esconder o que está acontecendo no seu mercado

Quatro das cinco grandes atividades recuaram em junho, enquanto informação e comunicação avançaram; diferença mostra por que empresários precisam comparar desempenho próprio, setor e economia antes de avaliar crescimento


Por Cleiton Celini e Gledson Alves, sócios e contadores da AUDICONT Contabilidade

O setor de serviços brasileiro ficou estável em junho, mas o resultado aparentemente neutro esconde movimentos bastante diferentes entre as atividades.

O volume de serviços registrou variação de 0,0% frente a maio, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Das cinco grandes atividades pesquisadas, quatro recuaram.

A exceção foi informação e comunicação, que cresceu 1,8% no mês.

Serviços profissionais, administrativos e complementares caíram 1,4%. Serviços prestados às famílias recuaram 1,2%. Outros serviços diminuíram 2,2%. Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio tiveram leve variação negativa de 0,1%.

O contraste traz uma conclusão importante para empresários: a média da economia pode estar estável enquanto determinados mercados crescem e outros encolhem.

Isso significa que analisar apenas PIB, inflação ou desempenho geral dos serviços não é suficiente para saber se uma empresa está apresentando um resultado bom ou ruim.

É necessário comparar três dimensões: economia, setor e desempenho da própria empresa.

Estabilidade de 0,0% esconde movimentos importantes

Quando um indicador registra 0,0%, pode surgir a impressão de que praticamente nada aconteceu.

Os números de junho mostram exatamente o contrário.

Atividade

Junho ante maio

Informação e comunicação

+1,8%

Transportes, serviços auxiliares e correio

-0,1%

Serviços prestados às famílias

-1,2%

Serviços profissionais, administrativos e complementares

-1,4%

Outros serviços

-2,2%

Total dos serviços

0,0%

A estabilidade surgiu da combinação de movimentos positivos e negativos.

Esse fenômeno é comum nos indicadores econômicos.

Uma média nacional pode reunir empresas, atividades e regiões que atravessam momentos completamente diferentes.

Por isso, o primeiro cuidado ao utilizar indicadores econômicos no planejamento empresarial é evitar transformar uma média em diagnóstico individual.

Setor de serviços continua em patamar elevado

A estabilidade mensal também não significa que o setor de serviços esteja necessariamente em uma situação ruim.

Na comparação com junho de 2025, o volume de serviços avançou 2,0%, completando 27 resultados positivos consecutivos nessa base de comparação.

No primeiro semestre de 2026, o crescimento acumulado também foi de 2,0%.

Em 12 meses, a expansão chegou a 2,6%.

O setor ainda se encontra 19,9% acima do nível de fevereiro de 2020, período anterior à pandemia, e apenas 0,3% abaixo do ponto mais alto da série histórica, alcançado em outubro de 2025.

A fotografia, portanto, é mais complexa:

o setor está em nível elevado, continua crescendo na comparação anual, mas perdeu força na passagem de maio para junho e apresenta diferenças importantes entre suas atividades.

Informação e comunicação crescem na direção oposta

Informação e comunicação avançaram 1,8% em junho e foi a única das cinco grandes atividades com crescimento frente ao mês anterior.

Na comparação com junho de 2025, a expansão chegou a 9,4%.

O desempenho foi influenciado por atividades relacionadas a áreas como:

  • desenvolvimento e licenciamento de software;
  • tecnologia da informação;
  • telecomunicações;
  • tratamento de dados;
  • hospedagem de aplicações;
  • serviços de internet;
  • portais e provedores de conteúdo;
  • televisão aberta.

A diferença em relação ao resultado geral ajuda a demonstrar uma característica estrutural da economia.

Empresas podem operar no mesmo país, sob a mesma taxa de juros e a mesma inflação, mas estar inseridas em mercados com velocidades de crescimento completamente diferentes.

Digitalização ajuda a explicar uma parte dessa diferença

O avanço dos serviços de informação e comunicação também está ligado a uma transformação que ultrapassa as próprias empresas de tecnologia.

Software, dados, conectividade e infraestrutura digital passaram a fazer parte da operação de praticamente todos os setores.

Uma indústria utiliza sistemas de gestão e automação.

Um varejista vende por canais digitais.

Uma transportadora utiliza sistemas de logística e rastreamento.

Um escritório depende de softwares especializados.

Empresas utilizam armazenamento em nuvem, comunicação digital, segurança da informação, meios eletrônicos de pagamento e diferentes ferramentas de automação.

Assim, parte do crescimento de informação e comunicação está relacionada à própria digitalização da atividade econômica.

Serviços profissionais recuaram 1,4%

Os serviços profissionais, administrativos e complementares registraram queda de 1,4% em junho frente a maio.

Esse grupo reúne diferentes atividades utilizadas tanto por consumidores quanto por outras empresas.

A retração de um único mês não é suficiente para estabelecer uma tendência de longo prazo.

Mas é um indicador relevante para negócios inseridos nesse mercado.

Uma empresa que atua no segmento precisa comparar o resultado setorial com seu próprio desempenho.

Se o mercado recuou 1,4% e a empresa cresceu, ela pode estar ganhando espaço.

Se caiu significativamente mais que o mercado, pode existir uma questão interna além do ambiente econômico.

É nessa comparação que o indicador passa de notícia econômica para instrumento de gestão.

Serviços prestados às famílias também recuaram

Os serviços prestados às famílias diminuíram 1,2% em junho frente a maio.

Esse segmento possui relação mais direta com renda, emprego, inflação, juros e situação financeira do consumidor.

Indicadores recentes mostram justamente uma combinação de forças.

A inflação desacelerou em julho.

A taxa básica de juros iniciou trajetória de redução, embora permaneça elevada.

Ao mesmo tempo, o endividamento das famílias atingiu nível recorde.

Essas variáveis podem produzir efeitos diferentes sobre o consumo.

Por isso, empresas voltadas às famílias precisam acompanhar não apenas indicadores gerais de atividade, mas também o comportamento efetivo dos próprios clientes.

Turismo recuou 3,4%

As atividades turísticas apresentaram um movimento mais intenso.

O índice de turismo caiu 3,4% em junho frente a maio, registrando a segunda retração consecutiva.

No acumulado desses dois meses, a perda chegou a 3,8%.

Na comparação com junho de 2025, houve queda de 5,3%.

O resultado é um exemplo claro de como uma média pode esconder realidades setoriais.

Enquanto o total dos serviços registrou 0,0%, turismo caiu 3,4%.

Para um hotel, agência de viagens ou empresa dependente do fluxo turístico, portanto, a estabilidade geral do setor de serviços possui utilidade limitada se observada isoladamente.

Transporte de passageiros caiu 4%

O transporte de passageiros também apresentou retração relevante.

O volume caiu 4,0% em junho, marcando a segunda queda consecutiva.

No acumulado dos dois meses, a perda chegou a 5,1%.

Na comparação com junho do ano anterior, a retração foi de 11,1%.

O transporte de cargas teve comportamento bastante diferente, com pequena variação negativa de 0,1% frente a maio.

Até dentro de uma mesma grande atividade existem, portanto, desempenhos distintos.

Isso reforça uma regra importante para análise empresarial:

quanto mais próximo o indicador estiver da atividade real da empresa, maior tende a ser sua utilidade para a tomada de decisão.

Crescimento da economia não significa crescimento de todas as empresas

Indicadores econômicos são construídos a partir de grandes conjuntos de informações.

Por definição, representam resultados agregados.

Quando o PIB cresce, isso não significa que todas as empresas cresceram.

Quando o consumo aumenta, nem todos os varejistas necessariamente vendem mais.

Quando o setor de serviços avança, nem todas as atividades acompanham a mesma trajetória.

Essa distinção parece óbvia, mas possui consequências importantes para planejamento.

Uma empresa não deveria projetar crescimento simplesmente porque existe uma previsão positiva para seu setor.

Da mesma forma, um cenário econômico mais fraco não significa automaticamente que todos os negócios precisarão encolher.

Como saber se uma empresa está crescendo acima do mercado

Uma análise útil começa pelos próprios indicadores.

A empresa pode acompanhar:

  • faturamento;
  • volume de serviços prestados;
  • número de clientes;
  • novos contratos;
  • cancelamentos;
  • tíquete médio;
  • margem bruta;
  • margem operacional;
  • inadimplência;
  • geração de caixa.

Depois, compara a evolução desses números com indicadores externos do segmento.

Imagine uma atividade que cresceu 2% em determinado período.

Se uma empresa comparável avançou 8% em volume, existe um sinal de ganho relativo.

Se cresceu apenas 0,5%, mesmo apresentando receita maior, existe uma diferença que merece investigação.

O indicador econômico não explica sozinho a causa.

Mas mostra que existe uma pergunta gerencial a ser respondida.

Faturamento maior não significa necessariamente crescimento real

Essa análise exige outra distinção importante.

Receita e volume não são a mesma coisa.

Uma empresa pode aumentar o faturamento simplesmente porque reajustou preços.

Imagine uma prestadora de serviços que elevou seus preços em 10% e terminou o período com faturamento 7% maior.

A receita nominal aumentou.

Mas isso não significa que a empresa cresceu em quantidade de serviços.

Ela pode ter atendido menos clientes ou realizado menos operações.

Se os custos também aumentaram, o resultado econômico pode ser ainda menos favorável.

Por isso, crescimento precisa ser analisado em múltiplas dimensões.

Quatro números ajudam a medir a qualidade do crescimento

Uma avaliação empresarial pode começar por quatro indicadores:

Receita: quanto a empresa faturou.

Volume: quanto efetivamente vendeu ou prestou.

Margem: quanto permaneceu depois dos custos relacionados à operação.

Caixa: quanto do resultado se transformou efetivamente em recursos financeiros.

Uma empresa pode aumentar receita sem aumentar volume.

Pode aumentar volume e perder margem.

Pode aumentar lucro contábil e enfrentar pressão de caixa.

O crescimento de melhor qualidade tende a aparecer quando diferentes indicadores evoluem de maneira sustentável.

Se o setor cresce e a empresa cai, culpar a economia pode esconder o problema

Indicadores externos também ajudam a separar fatores macroeconômicos de questões internas.

Imagine um segmento que cresce consistentemente enquanto uma determinada empresa perde clientes.

Nesse cenário, atribuir toda a dificuldade à economia pode impedir a identificação de problemas como:

  • preço;
  • atendimento;
  • produtividade;
  • qualidade;
  • posicionamento;
  • aquisição de clientes;
  • concorrência;
  • gestão comercial.

O contrário também ocorre.

Se o setor atravessa retração e a empresa continua crescendo, ela pode estar ganhando participação de mercado ou possuir alguma vantagem competitiva.

A comparação não fornece automaticamente a resposta.

Mas melhora o diagnóstico.

Comparar apenas faturamento com o concorrente também é insuficiente

Existe ainda outro cuidado.

Duas empresas podem apresentar crescimento semelhante de receita e resultados econômicos muito diferentes.

Uma pode ter aumentado preços.

Outra pode ter conquistado clientes.

Uma pode ter sacrificado margem.

Outra pode ter aumentado produtividade.

Uma pode ter vendido a prazo e ampliado recebíveis.

Outra pode ter convertido rapidamente as vendas em caixa.

Por isso, benchmarking não deve ser reduzido a faturamento.

O desempenho precisa ser observado de forma multidimensional.

Empresas deveriam analisar três camadas

Na avaliação de Cleiton Celini e Gledson Alves, sócios e contadores da AUDICONT Contabilidade, os números da Pesquisa Mensal de Serviços mostram por que empresários deveriam separar três níveis ao avaliar o desempenho de seus negócios.

Primeira camada - Economia

Juros, inflação, emprego, renda, crédito e atividade ajudam a compreender o ambiente geral.

Segunda camada - Setor

Indicadores específicos mostram se a atividade em que a empresa está inserida está crescendo, desacelerando ou recuando.

Terceira camada - Empresa

Receita, volume, clientes, preços, custos, margem e caixa revelam o desempenho efetivo do negócio.

A comparação entre as três camadas permite formular diagnósticos mais precisos.

Uma empresa pode estar crescendo porque todo o mercado cresce.

Pode estar crescendo mais rápido que o mercado.

Pode estar perdendo espaço mesmo aumentando faturamento.

Ou pode estar superando uma retração setorial.

São situações completamente diferentes e exigem decisões diferentes.

O orçamento empresarial também deveria considerar o setor

Essa lógica pode ser aplicada às projeções.

Uma empresa que pretende crescer 15% no próximo ano deveria entender de onde virá esse crescimento.

Será aumento de preços?

Mais clientes?

Maior tíquete médio?

Expansão geográfica?

Novo produto?

Ganho de participação de mercado?

Se o setor cresce 2% e a empresa projeta 15%, a diferença precisa possuir uma explicação operacional.

Uma meta sem essas premissas é apenas um número.

Quanto mais a projeção se distancia da tendência do mercado, mais importante se torna identificar quais ações permitirão alcançar o resultado.

Tecnologia também traz uma lição para empresas fora do setor

O crescimento de informação e comunicação não significa que toda empresa precise se transformar em uma companhia de tecnologia.

Mas mostra a crescente importância da infraestrutura digital para produtividade.

Automação, integração de sistemas, dados e software podem permitir que empresas tradicionais:

  • reduzam tarefas manuais;
  • aumentem produtividade;
  • melhorem atendimento;
  • reduzam erros;
  • acelerem processos;
  • obtenham informações gerenciais mais rapidamente.

A questão empresarial não é simplesmente adotar tecnologia porque o segmento cresce.

É identificar onde tecnologia consegue melhorar economicamente a operação.

Crescimento sem produtividade pode ter limite

Outro ponto importante está na relação entre expansão e eficiência.

Uma empresa pode crescer contratando proporcionalmente mais pessoas, aumentando estrutura e elevando custos.

Outra pode ampliar receita mantendo uma estrutura semelhante graças a ganhos de produtividade.

Os dois negócios aumentaram faturamento.

Mas a qualidade econômica da expansão pode ser muito diferente.

Indicadores como receita por funcionário, margem operacional e custo por serviço ajudam a identificar essa diferença.

Em setores de serviços, nos quais mão de obra costuma possuir peso relevante, produtividade pode determinar quanto do crescimento efetivamente se transforma em resultado.

A média nacional é o começo da análise, não o fim

O resultado de junho sintetiza bem esse princípio.

O setor de serviços ficou em 0,0%.

Dentro dessa média:

informação e comunicação cresceram 1,8%;

serviços profissionais recuaram 1,4%;

serviços às famílias caíram 1,2%;

outros serviços diminuíram 2,2%;

turismo recuou 3,4%;

transporte de passageiros caiu 4%.

Uma única média reúne todas essas realidades.

Para entender a economia, o resultado agregado é importante.

Para administrar uma empresa, é necessário ir além.

O indicador mais importante é a posição da empresa em relação ao mercado

O setor de serviços continua próximo do maior nível de sua série histórica e mantém crescimento na comparação anual.

Ao mesmo tempo, junho mostrou perda de ritmo e divergência entre atividades.

Para empresas, essa combinação produz uma lição que permanece válida mesmo quando novos números substituírem os dados deste mês.

Não basta perguntar:

"A economia está crescendo?"

Também não basta perguntar:

"Meu setor está crescendo?"

A pergunta decisiva é:

"Como minha empresa está se comportando em relação ao mercado em que atua?"

Se o mercado cresce e a empresa cresce mais, pode existir ganho de participação.

Se ambos recuam, é necessário separar efeito econômico de problemas internos.

Se o setor cai e a empresa avança, existe uma vantagem que precisa ser compreendida e protegida.

E se o faturamento cresce enquanto volume, margem ou caixa pioram, talvez o crescimento exista apenas na aparência.

Indicadores econômicos ajudam a enxergar o ambiente.

Mas é a comparação entre economia, setor e empresa que transforma informação econômica em ferramenta de gestão.


Perguntas frequentes

Como ficou o setor de serviços em junho de 2026?

O volume de serviços ficou estável, com variação de 0,0% frente a maio. Na comparação com junho de 2025, houve crescimento de 2,0%. O setor também acumulou expansão de 2,0% no primeiro semestre e 2,6% em 12 meses.

Qual atividade de serviços mais se destacou em junho?

Entre as cinco grandes atividades pesquisadas, informação e comunicação foi a única a crescer na comparação mensal, avançando 1,8%. Na comparação com junho de 2025, o segmento apresentou expansão de 9,4%.

O setor de serviços está em retração?

O resultado de um único mês não permite essa conclusão. O setor ficou estável frente a maio, mas cresceu 2,0% em relação a junho de 2025 e permanece próximo do maior nível da série histórica.

Como saber se uma empresa cresce acima do mercado?

A empresa pode comparar indicadores próprios, como volume de serviços, clientes, receita e margem, com dados de seu setor. Se o volume da empresa cresce consistentemente acima do segmento comparável, isso pode indicar ganho relativo de mercado.

Faturamento maior significa que a empresa cresceu?

Não necessariamente. A receita pode aumentar por causa de reajustes de preços mesmo com redução do volume vendido. Uma análise mais completa considera faturamento, quantidade, clientes, margem, custos e geração de caixa.

Quais indicadores uma empresa de serviços deveria acompanhar?

Além do faturamento, são úteis volume de serviços, número de clientes, tíquete médio, novos contratos, cancelamentos, margem bruta, margem operacional, inadimplência, produtividade e geração de caixa.


Fontes consultadas

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Volume de serviços fica estável (0,0%) em junho.


Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pesquisa Mensal de Serviços - junho de 2026.


Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Sistema IBGE de Recuperação Automática - SIDRA.