Notificações tornam o segundo fator prático, mas pedidos inesperados não devem virar uma aprovação automática por hábito ou pressão.
Por Cleiton Celini e Gledson Alves, sócios e contadores da AUDICONT Contabilidade
Notificações push tornam o MFA rápido: o usuário toca em aprovar e continua o trabalho. Essa conveniência perde valor quando a pessoa aprova sem relacionar o pedido a uma ação iniciada por ela.
Quando MFA por aplicativo depende de terceiro, o plano também precisa explicar como revogar acessos, recuperar informações necessárias e manter a continuidade sem transformar o fornecedor em ponto único de dependência.
O tema também se relaciona a senha compartilhada na empresa e a alertas de sistema. Esses conteúdos aprofundam controles adjacentes sem substituir a análise específica desta pauta.
Aprovar é uma decisão, não um reflexo
Em ataques de fadiga de MFA, o objetivo é gerar insistência até que alguém aprove por engano, cansaço ou pressão. O controle humano melhora quando a mensagem mostra aplicação, localização aproximada, número correspondente ou outro contexto disponível.
Como funciona a fadiga de MFA
Exemplo: a notificação que chega no meio do expediente
Exemplo hipotético: às 22h, um funcionário recebe três pedidos de aprovação sem estar entrando em nenhum sistema. Aprovar para “parar as notificações” transforma um sinal de ataque em autorização. O fluxo correto é rejeitar, reportar e revisar a conta.
Uma solicitação inesperada pode indicar que a senha já foi descoberta. Por isso, o procedimento deve orientar não só a rejeição, mas também o reporte e a revisão de tentativas recentes.
Contexto na tela ajuda a distinguir a tentativa
Treinamento precisa combinar com configuração
Para reduzir aprovações por hábito, a empresa pode combinar configuração e orientação objetiva:
- Orientação para recusar pedidos inesperados.
- Number matching ou contexto quando disponível.
- Canal de reporte rápido.
- Revisão de logs após solicitações suspeitas.
- MFA resistente a phishing quando viável.
- Revogação de sessões em incidente.
Em MFA por aplicativo, pessoas, dispositivos e fornecedores precisam seguir a mesma regra operacional. Se cada parte entende o controle de forma diferente, a exceção vira o ponto em que a proteção deixa de funcionar.
Recusar a notificação pode ser só o começo da resposta
Plataformas diferentes oferecem métodos diferentes. Quando houver opções resistentes a phishing, elas podem ser priorizadas para perfis administrativos e acessos de maior impacto.
Na avaliação de Cleiton Celini e Gledson Alves, sócios e contadores da AUDICONT Contabilidade, o segundo fator só agrega segurança quando o usuário entende que está confirmando uma ação específica. Transformar o push em reflexo automático enfraquece justamente a decisão que o MFA deveria exigir.
Treinar a decisão de aprovar ou recusar
Para MFA por aplicativo, a empresa pode registrar em uma única ficha o ativo ou conta envolvida, o responsável, a finalidade, o controle esperado e a última evidência de teste. Esse registro ajuda a distinguir configuração existente de controle efetivamente verificado. A revisão deve ser refeita quando houver mudança de fornecedor, equipe, integração ou incidente, porque o risco pode mudar mesmo que a ferramenta permaneça a mesma.
O controle pode ser testado com uma simulação interna: apresente aos usuários uma solicitação inesperada em ambiente autorizado e confirme se eles recusam, reportam e sabem qual procedimento seguir.
O que precisa ficar comprovado em MFA por aplicativo
Para que MFA por aplicativo deixe de ser apenas uma configuração e vire controle empresarial, a evidência precisa permitir que outra pessoa entenda o que foi decidido e repita a verificação. Um registro curto pode associar orientação para recusar pedidos inesperados, number matching ou contexto quando disponível e canal de reporte rápido à data da última revisão, ao responsável e ao resultado encontrado. Se houver exceção, ela deve indicar motivo, prazo e quem autorizou. Essa disciplina é especialmente útil em desligamentos, troca de fornecedor e incidentes, porque reduz a dependência de memória e ajuda a separar falha de tecnologia de falha de processo. O objetivo não é produzir documentação extensa, mas preservar informação suficiente para decidir com rapidez e demonstrar que o controle de MFA por aplicativo foi efetivamente testado.
FAQ
Toda notificação inesperada significa ataque?
Não necessariamente, mas deve ser recusada quando o usuário não iniciou a autenticação e investigada se houver repetição.
O que é fadiga de MFA?
É a tentativa de induzir aprovação por repetição ou pressão sobre o usuário.
Number matching ajuda?
Ele adiciona contexto à aprovação e reduz cliques automáticos, quando suportado pela plataforma.
MFA por aplicativo deixou de ser recomendado?
Não. Continua sendo uma camada importante; o desenho deve considerar resistência a phishing e comportamento do usuário.
Precisa trocar a senha depois de um pedido suspeito?
Se houver indício de que a senha foi comprometida, a empresa deve seguir o procedimento de resposta e avaliar a troca.
Quem deve receber o reporte?
Um canal interno de suporte ou segurança definido e conhecido pelos usuários.
Fontes consultadas
NIST - SP 800-63B-4.
As diretrizes do NIST sobre autenticação e autenticadores foram consultadas para os controles de MFA, recuperação e gerenciamento de autenticadores.
CTIR Gov - Recomendação 04/2026.
A Recomendação 04/2026 do CTIR Gov aborda comprometimento de identidades, tokens OAuth, sessões persistentes, logs e revogação de acessos.
CTIR Gov - Recomendação 01/2026.
A Recomendação 01/2026 do CTIR Gov trata de campanhas de phishing e reforça MFA, monitoramento e verificação de domínios.