A preparação para o Imposto Seletivo começa no catálogo: produto real, NCM, ficha técnica, evidência de classificação e vigência precisam permanecer alinhados.
Por Cleiton Celini e Gledson Alves, sócios e contadores da AUDICONT Contabilidade
O Imposto Seletivo não deve ser tratado como um novo campo genérico no cadastro de produtos. Antes de qualquer parametrização, a empresa precisa saber quais itens do seu portfólio podem estar no alcance legal e como a identificação será sustentada.
A revisão é especialmente importante em catálogos extensos, nos quais NCM, descrição comercial e ficha técnica podem ter evoluído em ritmos diferentes. Um produto renomeado comercialmente não deixa de exigir classificação coerente.
O trabalho de 2026 deve concentrar-se em qualidade cadastral e governança, sem antecipar conclusões que dependam de regulamentação específica ainda aplicável a cada item.
Comece pelo universo potencialmente alcançado
Em vez de revisar todos os SKUs com a mesma profundidade, a empresa pode criar uma triagem por categorias e classificações que merecem análise.
Esse recorte deve ser conservador o suficiente para não excluir produtos relevantes, mas documentado para que a equipe saiba por que cada item entrou ou saiu da amostra.
NCM e descrição precisam corresponder ao produto real
Descrições comerciais abreviadas podem ocultar características importantes. A classificação deve considerar a mercadoria efetivamente vendida e a documentação técnica disponível.
Quando compras e vendas usam códigos diferentes para o mesmo item, a inconsistência deve ser corrigida antes de automatizar qualquer regra do Imposto Seletivo.
Ficha técnica pode ser parte da evidência
Composição, finalidade e especificações ajudam a entender o produto quando a descrição fiscal é insuficiente. Manter esses documentos vinculados ao cadastro reduz dependência de memória de compradores ou vendedores.
O responsável pela classificação deve ter acesso à mesma versão da ficha usada pela área comercial.
Produtos novos exigem porta de entrada controlada
A governança não pode funcionar apenas como saneamento do estoque atual. Todo novo SKU precisa passar por um fluxo que inclua classificação antes da primeira venda.
Esse controle evita que o catálogo volte ao estado anterior poucos meses depois da revisão.
Mudança legal deve ser versionada
Quando regras ou listas forem atualizadas, a empresa precisa saber a partir de quando cada parametrização passou a valer.
Registrar vigência permite explicar por que o mesmo produto teve tratamento diferente em períodos distintos sem apagar o histórico.
Saneamento cadastral precisa continuar depois de 2026
A revisão para o Imposto Seletivo será pouco útil se o catálogo voltar a acumular itens sem validação no mês seguinte. Por isso, o projeto deve deixar uma rotina permanente para inclusão e alteração de produtos.
Indicadores simples, como quantidade de SKUs sem classificação revisada, mudanças feitas sem aprovação e itens com descrição genérica, ajudam a manter o cadastro sob controle.
Leituras e ferramentas para aprofundar a análise
O artigo sobre classificação e erros na nota fiscal complementa o tema ao mostrar por que validações tecnológicas não substituem a análise do cadastro.
Checklist prático
- criar lista de categorias potencialmente alcançadas.
- conferir NCM contra descrição e ficha técnica.
- reconciliar códigos usados em compras e vendas.
- definir aprovação fiscal para novos SKUs.
- guardar evidência usada na classificação.
- versionar mudanças de regra e vigência.
Quando a revisão profissional faz sentido
Nos itens em que a classificação possa alterar o tratamento tributário, a Assessoria Fiscal e Tributária da AUDICONT Contabilidade pode ser acionada para examinar o enquadramento antes da produção.
Perguntas frequentes
Todo produto estará sujeito ao Imposto Seletivo?
Não. O primeiro passo é identificar o universo potencialmente alcançado pela legislação aplicável.
NCM sozinho resolve o enquadramento?
Não necessariamente. Descrição e características do produto também precisam ser coerentes.
Ficha técnica deve ficar no cadastro?
Pode ficar vinculada ou em repositório controlado, desde que seja facilmente rastreável.
Quem aprova um novo SKU?
O processo deve incluir validação fiscal antes da primeira operação quando houver risco de enquadramento.
Vale revisar produtos sem venda recente?
Priorize itens ativos e relevantes, mas cadastros antigos que podem voltar a vender não devem ser esquecidos.
Como controlar mudança futura?
Use data de vigência e histórico da parametrização, evitando sobrescrever a regra antiga sem registro.
Fontes consultadas
Lei Complementar nº 214/2025 - texto compilado.
A disciplina do Imposto Seletivo foi consultada na legislação complementar.
Portal Nacional da NF-e - Informe Técnico RTC.
O informe técnico foi usado como referência para a importância das tabelas de classificação tributária nos documentos eletrônicos.